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Aplicativo ‘Sarahah’: Saiba os cuidados que precisa ter com o uso

sarahah

Um aplicativo criado para possibilitar um feedback construtivo entre colegas de trabalho e amigos, mas que, ao cair nas graças da internet, já se transformou em um lugar para flertar anonimamente com o crush, deixar recados carinhosos para amigos e, em muitos casos, espalhar mensagens ofensivas sem ser descoberto. O Sarahah ganhou popularidade e já atingiu cerca de 300 milhões de usuários em todo o mundo, mas especialistas alertam que alguns cuidados devem ser levados em conta ao usar o app.

Idealizado e colocado em prática na Arábia Saudita, o Sarahah (que significa “honestidade” em árabe) permite o envio de mensagens anônimas a outras pessoas e, segundo um texto em sua página, “ajuda você a descobrir seus pontos fortes e áreas de melhoria” de forma particular e honesta.

Foto: Reprodução

A “moda Sarahah” faz tanto sucesso que chegou à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) fez uma publicação ironizando colegas que retiraram as assinaturas do pedido para instalar uma CPI dos Ônibus.

Na publicação, Freixo afirma “entramos na onda do Sarahah e já chegamos com uma pergunta aos seis deputados que retiraram suas assinaturas.” Em seguida, o político reproduz a mensagem com a interface do aplicativo: “Senhores deputados que estão sabotando a CPI dos ônibus, voces querem que divulguemos os seus nomes?”

O app pode ser baixado tanto por Androids quanto por dispositivos iOS e com sua popularização tem chamado atenção de psicólogos e advogados, que alertam para o perigo de disseminação de bullying e até de crimes de ódio.

– A grande maioria das pessoas utiliza o aplicativo sem maiores problemas, seja para colocar uma mensagem construtiva, ou fazer uma brincadeira leve. Mas a ideia de suposto anonimato sempre acaba atraindo pessoas que usarão o espaço para enviar mensagens de ódio, ou prejudicar outra – afirma o advogado Luiz Antonio Gomes, coordenador do curso de direito da Unicarioca.

Embora tenha sido concebido para a veiculação de mensagens positivas, há diversos relatos de usuários que receberam palavras maldosas. Devido a isso, a psicóloga Paula Emerick, fundadora da Solace Institute, alerta que antes de se expor em um aplicativo como esse é necessário avaliar se está disposto a lidar bem com eventuais críticas.

– Costumo brincar que o ser humano tem em si a necessidade dos três “as”: amor aceitação e aprovação. Ficamos em busca disso a vida inteira. Quando a pessoa se expõe, tem que estar preparada para o feedback. Não pode esperar somente o retorno positivo. Se a pessoa escolhe baixar o app, ela tem que entender que está exposta ao que vem de ruim e ao que vem de bom. Então, é necessário pensar “eu tenho sanidade mental e emocional para gerenciar aquilo que pode vir que não me agrada?” “Minha autoestima está bem suprida para que eu possa suportar?” – orienta a psicóloga.

O fácil acesso ao app- basta cadastrar um email, senha e nome de usuário- é uma preocupação por possibilitar a utilização por crianças e adolescentes, abrindo, eventualmente, um canal para a prática de bullying. Nesse caso, Paula afirma que os pais devem monitorar as mensagens recebidas:


Foto: Reprodução / Getty Images

– Eventuais problemas com esse aplicativo e qualquer outro se resolve colocando limites e monitorando. As crianças e adolescentes precisam de algum adulto para discipliná-los e avaliar o que é adequado para idade deles. Cada pai conhece seu filho emocionalmente e sabe se ele vai conseguir lidar com determinadas coisas ou não.

Nem tão anônimo assim

O anonimato, grande trunfo do Sarahah, no entanto, pode ser um entrave para a vida longa do aplicativo. Assim como aconteceu com outros aplicativos que permitiam o anonimato para contar “segredos”, como o “Secret”, ou avaliar outras pessoas, como o “Lulu”, o Sarahah também pode ser questionado judicialmente. Mais do que isso, embora “garanta” que seus usuários permaneçam ocultos, o advogado Luiz Antonio Gomes explica que, quando se trata de internet, isso não existe.

– A pessoa pensa que está protegida e pode fazer qualquer coisa, mas não é bem assim. A internet tem uma legislação específica. A empresa que faz o aplicativo e aquela que está provendo a internet são obrigadas a guardar por seis meses, de acordo com a lei, os registros de acesso. Se o acesso foi via celular, há um código Imei. Se foi pelo computador há o IP. A partir do momento que envio uma mensagem contendo homofobia, crime de racismo, injúria, a pessoa alvo da publicação pode procurar uma delegacia, ou entrar na justiça contra isso e ter acesso a esses dados- explica Gomes.(Agência O Globo)

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